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 Orphaned Land - The Never Ending Way Of ORWarriOR [2010]

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the_passenger

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MensagemAssunto: Orphaned Land - The Never Ending Way Of ORWarriOR [2010]   Ter Mar 16, 2010 10:02 pm

Orphaned Land - The Never Ending Way Of ORWarriOR [2010]



Oriundos de um país devassado por guerras, suscitadas por ódios milenares motivados pela religião, como é Israel, o qual até um país insuspeito no que diz respeito a Metal, vem uma banda que merece os melhores elogios. Em abono da verdade, a guerra actual em Israel tem motivos muito mais políticos que religiosos, nomeadamente o controlo dos pedaços de terra que possuem a pouca água potável existente num terreno maioritariamente desértico e árido, a religião acaba por servir de rastilho e ser usada como ‘arma’ para o conflito, mas isso não é algo que eu queira discutir agora.

Após um hiato de cerca de 6 anos em que não houve praticamente nenhuma actividade da banda, os músicos decidem reunir-se após uma série de eventos que envolveram a banda, um dos quais foi um e-mail que o vocalista Kobi Farhi recebeu com um vídeo de um fã árabe, da Jordânia, a mostrar uma tatuagem do logótipo dos Orphaned Land, ao som da sua música. Outro foi um concerto de reunião realizado em Istambul na Turquia, outro país onde a religião predominante é a muçulmana, onde a reacção do público foi estrondosa. O facto de haverem fãs deles adeptos da religião muçulmana, alguns até com tatuagens e a viverem em países onde os fãs de Metal são muitas vezes perseguidos e presos, sendo os músicos israelitas, surpreendeu a banda. Neste ponto, o vocalista apercebeu-se que havia muito mais para além da música que faziam: esta era um meio de transmitir esperança e união entre as pessoas de várias religiões, algumas delas historicamente antagónicas ao longo de vários anos. A banda acabou por regressar com toda a sua força após estes acontecimentos.
“The Never Ending Way Of ORwarriOR” é o segundo álbum após a ‘reunião’ e é um álbum conceptual sobre ‘o guerreiro da luz’, representando um herói conceptual na batalha da luz contra as trevas. Segundo o vocalista da banda, este ‘guerreiro da luz’ não é nenhum messias ou algo do género, mas sim cada um de nós e a nossa luz interior. O nome do álbum reflecte esse conceito, criando um jogo de palavras entre a palavra ‘warrior’, guerreiro em inglês, e a palavra ‘or’, em hebraico e que significa luz. Musicalmente, aprofunda o estilo criado pela banda no álbum anterior, “Mabool: The Story of the Three Sons of Seven”, álbum igualmente conceptual, fazendo um cruzamento do som mais antigo da banda enraizado no Doom / Death Metal com o Metal Progressivo actual e música étnica do Médio Oriente. A banda apresenta actualmente uma sonoridade não tão ‘visceral’ como evidenciado nos trabalhos mais antigos e chega até a perder algum peso a relação a “Mabool” (na minha opinião, a obra-prima da banda até à data), mas muito mais refinada, onde as melodias étnicas apresentam muito maior coesão com o Metal da banda. Este álbum está ao nível do seu antecessor, para alguns até estará superior, e certamente irá agradar e surpreender os fãs dos géneros de música citados bem como os fãs de música em geral que estejam à procura de música refrescante e inovadora.

Os Orphaned Land, mais que uma excelente banda de Metal, são um claro exemplo do que a música, neste caso o Metal, pode atingir, onde a política e as religiões que (supostamente) professam a paz e a união entre os homens falham. Este post, que pretende mostrar a quem esteja interessado um óptimo disco, não é no entanto totalmente inocente, pelo menos no que ao texto que o acompanha diz respeito, dado as discussões ‘quentes’ sobre religião que outros discos motivaram num passado mais ou menos recente do fórum e outros acontecimentos recentes aos quais eu próprio manifestei a minha opinião, em que músicos correm o risco de serem presos por criticarem determinada religião. Uma banda judia que professa a união entre as três religiões Abraâmicas, que servem de culto ao mesmo deus e que ridiculamente continuam a matar-se umas às outras e a ensinarem as suas crianças a odiar, consegue criar algo de que qualquer Headbanger se deve orgulhar. A ‘nossa’ música é muito mais do simplesmente música, é também união entre as pessoas, por vezes muito mais do que qualquer religião.